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Procura-se foguete na Lua!

Redação Recifes
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Procura-se foguete na Lua!
Foto: Javier Mendoza / Pexels

Lembra do foguete que cairia na Lua? Um estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX?

Então… a previsão era de uma colisão às 3h35 da madrugada desta quarta-feira (5), no horário de Brasília. Astrônomos brasileiros acompanharam tudo ao vivo e ficamos de plantão por aqui. Mas, até agora, nenhum telescópio tinha flagrado essa colisão.

Caso alguma imagem surja (alô, NASA!), a gente te atualiza.

Relembrando a história

Um estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, terminou uma viagem inesperada colidindo com a Lua nesta madrugada. Quer dizer… segundo a previsão.

O impacto estava previsto para 3h35 da madrugada (horário de Brasília). O impacto e sua cratera poderiam ajudar pesquisadores a estudar os efeitos de colisões espaciais.

O objeto passou mais de 18 meses em órbita após uma missão lunar. O caminho até a Lua não foi planejado, mas acabou definido pela ação da gravidade e da atividade solar.

Resumo:

  • O estágio pesa cerca de 4 mil quilos;
  • A previsão era da abertura de uma cratera de aproximadamente 27 metros;
  • Cientistas poderão estudar como impactos afetam a superfície lunar;
  • Os dados podem ajudar no planejamento de futuras missões tripuladas.

“Mas por que um incidente cósmico provocado pelo homem gera tanto interesse dos cientistas? A resposta está no fato de que impactos são uma das principais ferramentas para compreender a história e a composição da Lua. Diferentemente da Terra, a Lua praticamente não possui atmosfera para protegê-la dos impactos. Cada pequena rocha espacial atinge diretamente sua superfície criando uma cratera. Sem chuva, vento ou atividade geológica para apagar as marcas dessas colisões, cada cratera criada permanece ali por milhões de anos, preservando um registro dos eventos que moldaram a Lua e o Sistema Solar desde sua formação” – explicou Marcelo Zurita, astrônomo e colunista do Olhar Digital.

Por que o foguete acabou indo parar na Lua?

O Falcon 9 foi lançado em janeiro de 2025 levando duas sondas privadas: a Blue Ghost, da Firefly Aerospace, e a Resilience, construída pela empresa japonesa ispace.

A Blue Ghost conseguiu pousar e completar sua missão. Já a Resilience perdeu a tentativa de aterrissagem. Enquanto isso, o estágio superior do foguete seguiu outro destino.

Normalmente, a SpaceX controla o fim da vida útil desses componentes com uma reentrada planejada na atmosfera terrestre. Neste lançamento, porém, quase todo o combustível foi usado para levar as sondas até a região lunar.

Com cerca de 4 mil quilos, o estágio ficou em uma órbita alta que cruzava a região da Lua.

Gravidade e Sol colocaram o Falcon 9 em rota de colisão

O foguete não recebeu uma “ordem” para seguir em direção à Lua. A mudança aconteceu lentamente, enquanto forças naturais alteravam sua trajetória.

“Sem combustível suficiente para realizar uma manobra de descarte controlado, sua trajetória passou a ser moldada pelas complexas interações gravitacionais principalmente entre o foguete, a Terra e a Lua. Uma verdadeira dança gravitacional a três, em que pequenas perturbações se acumulam até alterar completamente o destino do objeto. Foi o que aconteceu com este foguete – até que, recentemente, os cálculos mostraram que uma colisão com a Lua seria inevitável” – explicou Marcelo Zurita.

O caso chama atenção porque mostra um desafio crescente para a exploração espacial: o que fazer com equipamentos que continuam circulando depois do fim de uma missão.

E mais: existe uma preocupação ligada aos planos da NASA de construir uma base próxima ao polo sul lunar pelo programa Artemis. Com astronautas vivendo no local por períodos maiores, evitar impactos inesperados será uma questão importante.

A SpaceX trabalha com a NASA e outras agências para encontrar formas mais seguras de descartar estágios usados em missões de alta energia.

O Falcon 9 não será o primeiro objeto a atingir a Lua dessa forma. Em 2022, um estágio superior de um foguete Long March 3C criou uma cratera na superfície lunar. O novo impacto deve acrescentar mais dados para entender como esses eventos acontecem e como reduzir seus riscos no futuro.

“E isso nos lembra de um aspecto menos glamuroso desse impacto, mas que não podemos ignorar. Embora tenha um enorme valor científico, ele também será consequência não de um fenômeno natural, mas de um descarte inapropriado de um veículo espacial. (…) Para a Lua, apenas mais um impacto, para nós, nada para nos preocuparmos. Ao menos por agora, porque num futuro próximo, talvez existam bases humanas por lá. E com o aumento da frequência de voos para a Lua, não estaremos mais sujeitos a incidentes como esses, que possam colocar em risco nossas ambições lunares?  Se quisermos expandir nossa presença pelo espaço, precisamos também desenvolver formas mais cuidadosas de administrar aquilo que deixamos para trás. Senão, estaremos arriscando nossas próprias conquistas e a qualidade do mundo, ou melhor, do Universo que deixaremos para as próximas gerações” – conclui Marcelo Zurita. 

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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